quarta-feira, 6 de abril de 2016

Carlos e Matheus Nogueira: a irrigação de pai para filho

A sucessão familiar dentro da propriedade rural é o sonho de todo produtor. Ver que seu trabalho é acompanhado de perto pelos filhos já deixa qualquer pai ou mãe já muito satisfeitos. Imagina então saber que seguirão seus caminhos... Mas, infelizmente, essa não é a realidade comum das propriedades rurais no Brasil. As cidades com suas luzes e opções levam muitos filhos da roça. Algumas vezes, levam ainda o sonho e o trabalho de uma vida toda de homens e mulheres do campo que não só alimentam um país, mas determinam a vida urbana. Se a alimentação do brasileiro é diversificada de alta qualidade e principalmente tem custo baixo tudo isso é graças aos nossos bravos homens do campo.
Por todos os lados ainda há casos (e muitos) de sucessão. Casos que nos fazem respirar aliviados em saber que continuamos seguros. Carlos Nogueira nos traz uma daquelas histórias boas de serem contadas! Zuquim, como é conhecido na região de Guaíra - SP, é a sétima geração de uma família de pecuaristas. Filho único conviveu com as dificuldades e conquistas do pai produtor e foi assim, de pai para filho que a paixão pela vida no campo foi passando e crescendo. Da cidade natal, Zuquim só saiu para estudar Zootecnia. “Fui a primeira turma de Jaboticabal. Naquela época chamavam de 120, onde desses, 30 faziam Zootecnia. Dos 30, só eu me formei!”
A ideia de fazer a graduação tinha a haver com a geração de pecuaristas da qual foi criado, mas depois de formado e casado em 1976, Zuquim viu uma janela na propriedade do pai chamada Agricultura. “Meu pai não tinha dom para a agricultura. Depois que casei, voltei para Guaíra e ele me doou uma área onde começamos a plantar. Sempre tive uma queda para a agricultura”.
Visionário, Carlos Nogueira viu que investir em tecnologias adequadas traria mais produtividade para suas lavouras. Em 1982 adquiriu o primeiro pivô, dando um passo certeiro. Com esse equipamento irrigou feijão e tomate e vendo necessidade, fez uma derivação na adutora e colocou um auto propelido, conseguindo assim irrigar seis alqueires. “Na época o feijão estava a 4,50... não me lembro se era cruzeiro, cruzado ou cruzeiro novo. Quando colhemos estava a 47,00! Com a venda dessa produção, compramos nosso segundo pivô! De lá para cá a coisa foi fluindo.”
A surpresa não ficou só no preço. “A produtividade foi grande demais”. O espanto foi ainda maior quando viu que o aumento na produtividade estava em torno de espantosos 1000%. A compra daquele feijão todo veio dentro de uma mala: “Naquela época o comprador de feijão trazia o dinheiro vivo dentro de uma malinha. Eu pesava o feijão, entregava pra ele e ele me entregava o dinheiro. Assim, na hora! Às vezes tinha que vir pra dentro do escritório pra contar a venda! Era muito dinheiro!”
Mesmo tendo uma ferramenta que garantia colheita, as tecnologias e culturas da época não permitiam que um único pivô pudesse irrigar mais que 36 alqueires. Irrigando, o agricultor já nos anos 1980 fazia duas culturas e meia/ano. Isso sem contar com as geadas que encararam naqueles anos. Para o produtor que não irrigava, foram ainda piores. Mas Zuquim, confiante se encantava com aquela colheita muito diferente de quando plantava em sequeiro: “aquela produção que se conseguia nessa área era coisa extraordinária!”.

A maior surpresa
As conquistas dos anos como agricultor foram muitas, mesmo com as dificuldades que a vida no campo traz. Pai de três filhos, Zuquim foi sempre apoiador e como acontece corriqueiramente nas fazendas de todo o Brasil, o comum é enviar os herdeiros a estudarem na cidade, garantirem estudos e quando adultos, voltarem para o campo com suas expectativas e conhecimentos. Mas ele foi vendo que a sucessão na família estava prestes a acabar. As gerações de produtores estavam próximas do fim, já que seus filhos buscavam outros caminhos e estavam voando pra longe da fazenda. As dificuldades bateram à sua porta. Sozinho e com os anos ele teve quase certeza que a vida no campo da família Nogueira tinha ponto final em sua geração.
Mas, outra grande surpresa estava por vir. O filho do meio, Matheus Nogueira, formado em Administração e empregado em uma grande multinacional na capital paulista voltou para ao interior a fim de tocar os negócios do pai e começar uma vida nova, longe da cidade grande. “Acho que está no sangue da gente. Em São Paulo vi que aquilo não era pra mim. Voltei, comecei a trabalhar e dar continuidade ao que meu pai vinha fazendo”, acrescentou Matheus.
Para o pai, a volta do filho e sua determinação mostraram que a oitava geração estava pronta para continuar os passos da família. Em pouco tempo, o filho foi dando tiros certeiros em investimentos e consequentemente em produtividade. Na propriedade do estado de Goiás onde criam gado, Matheus ganhou quando fez 15 anos, 20 bois. Foi aumentando ao ponto que a marca do rebanho do pai foi sumindo perto da quantidade do filho.
Empreendedor, vendeu um pouco das cabeças e comprou seu primeiro pivô menos de um ano depois que decidiu ser agricultor. A história se concretizava! E completa: “Quando voltei para Guaíra, uma das coisas que me motivaram a trabalhar foi a irrigação”.

Uma família irrigando
O bom uso da água foi sempre pregado na propriedade do senhor Carlos Nogueira e a certeza da garantia e assistência Valley também. A sua decisão em investir em irrigação lá nos anos 1980, transmitiu ao filho 20 anos depois, a certeza de que aquela tecnologia seria a ferramenta certa para a produtividade na colheita. A garantia do investimento do filho, sempre foi lição dada dentro de casa pelo pai: “Nunca duvidei da potencialidade da irrigação. O pivô foi um avanço de muita tecnologia na vida da agricultura. Não vejo uma ferramenta que seja mais precisa para o agricultou que o pivô, como não vejo uma marca que dê mais assistência ao irrigante que a Valley”.
Matheus aprendeu. Hoje a propriedade da família Nogueira conta com nove pivôs, desses, cinco vieram junto com ele. “Há 12 anos quando voltei, sabia que a produtividade depende da água. Que se não irrigasse, teria problemas com estiagem e ninguém falava em seca. Hoje temos isso como fator certo. Mas não é só isso: não adianta ter um pivô se não tiver um bom projeto, porque a cultura depende de xis milímetros na fase reprodutiva da planta por dia, dependendo do clima. Se um pivô for mal dimensionado, não consegue certa produtividade. Confio no Fumaça e nos projetos que ele faz para mim”, se referindo ao revendedor Valley da cidade de Guaíra, S&A Irrigação.
Com 80% da lavoura irrigada e produzindo soja, feijão, tomate e milho doce na terceira safra, a área de refúgio dos pivôs é feita por seringais. “Você não pode apostar tudo em uma única cesta. Tem que diversificar! Sou um sonhador. Agradeço a Deus por estar aqui trabalhando. Trabalhando direito e honestamente, a gente produz sim!”. Já com o espírito agricultor encarnado, Matheus completa: “A gente é agricultor, né? Está sempre na luta e na esperança!”

Dá pra ver nos olhos marejados d’água de Zuquim ao ver o filho continuando sua trajetória no caminho certo que ele mais ou menos na sua idade decidiu traçar. Mesmo com a desconfiança contraída do pai pecuarista: “Ele nunca me falou não! Mas eu sei que ele dizia por ai: esse menino tá doido! Não sei como ele vai conseguir. Quem investiu em tecnologia como eu naquela época mudou o aspecto da agricultura no Brasil. E o Matheus está dando continuidade! Melhor do que eu!”

*Matéria publicada em Pivot Point Brasil, abril de 2015

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Família Valley

Com mais de 220 colaboradores diretos na fábrica, 30 revendas e 45 lojas em todo o país, a Valmont Brasil através da marca Valley transforma trabalho duro em paixão por irrigação. A vontade e o orgulho do grupo, desenvolve ainda outro sentimento: o de fazerem parte de uma mesma família: A Família Valley!


O sentimento de estar em casa é frequentemente abordado pelos funcionários das empresas, já que ficam boa parte de seus dias dentro delas. Essa realidade não é diferente da fábrica da Valmont Brasil, sediada na cidade de Uberaba – MG. Amizades e negócios são feitos, envolvidos entre pivots que saem da unidade para revendas em todo o país e assim entregues a clientes que utilizam os equipamentos para irrigar lavouras que alimentam muita gente.

O círculo de produção feito pela irrigação através dos pivots Valley, funcionários, revendas, clientes e consumidores traz um enorme sentimento de satisfação a todos. A Valmont desde sua fusão e até antes disso, durante o funcionamento da Asbrasil criou e consolidou entre seu quadro de funcionários grandes parcerias que vingaram em verdadeiras paixões: por irrigar e por trabalhar na empresa que traz em sua história, orgulho e compromisso.

Mas, para que tudo isso tenha significado, é importante contar um pouco das histórias que unem esses sentimentos. E começa em 1946, quando, sob a batuta de Robert Daugherty surge a Valley Manufacturing nos Estados Unidos, mas que somente oito anos depois, a empresa fabrica os primeiros pivots centrais quando em 1954, Frank Zybach licencia a patente à empresa. Concidentemente, nesse mesmo ano a Asbrasil nasce no Brasil produzindo tubos e conexões para irrigação convencional.

As coincidências não param por ai. Em 1975, enquanto a Valmont lança o Corner, a Asbrasil começa a fabricar os primeiros auto propelidos. De longe os americanos observavam a fábrica brasileira e em 1978 firmam parceria, criando a Valmatic. Um ano após, são instalados os primeiros pivots no Brasil, na região de Brotas – SP. Em 1989, a fábrica sai de São Bernardo do Campo – SP e instala-se em Uberaba. E oito anos depois novamente, a Valmont funde com a então Asbrasil dando início a mais um capítulo da história da irrigação.


Tempos difíceis

Muitos dos funcionários que estão até hoje trabalhando na empresa presenciaram todos esses acontecimentos e juntos, fazem parte da história de sucesso e da grande família Valley. São histórias que até então não foram contadas, mas que dão à marca a paixão por usar a camisa Valley.

É o caso de Carlos Reiz um dos funcionários mais antigos, com mais de 30 anos de empresa. De sua cadeira presenciou muitos episódios que construíram a Valmont Brasil: mudanças, incertezas, altos e baixos. “Após uma reunião mostrando baixas, na época como Asbrasil, o chefe do grupo do qual fazia parte disse: temos duas opções: ou vamos pra casa ou lutamos. Fui o primeiro a dizer: prefiro lutar!”, conta emocionado. Na época com esposa e filho pequeno se viu em desespero, mas sabia de alguma forma que se ficasse e continuasse a trabalhar pela empresa, um futuro próspero estava por vir.

Eram tempos difíceis. A economia do país passava por momentos delicados. Tudo levava os mais pessimistas a fechar a empresa. A pressão era grande. “Pensava nos outros funcionários, em suas famílias e o que teriam que enfrentar caso não lutasse. Fiz isso por todos”. Determinado, Reiz ia todos os dias para empresa em busca de novos clientes, que começaram a voltar e efetivar contratos. “Isso me emociona! Devo essas conquistas aos clientes que acreditaram não só em mim, mas na proposta da empresa”.

Paralelo ao problema na fábrica, a Valmont nos EUA tinha em mente abrir uma filial na América do Sul. Vendo que a Asbrasil era uma boa parceira, os americanos esperaram os dois anos que a empresa precisava para se reerguer e efetivou a compra. A decisão em literalmente correr atrás do prejuízo traz para Reiz nostalgia de tempos difíceis, mas que hoje são lembrados de certa forma prazerosos, onde só o gosto pelo que faz, traduzisse tanto desempenho e coragem. “Graças a Deus fomos em frente. Aguentamos a pressão. Hoje a coisa mais prazerosa é poder ver mais de 220 funcionários trabalhando, levando tranquilidade para suas famílias”.

Foi exatamente de sua sala que Carlos Reis firmou muitos contratos, elevando a fábrica e traçando o caminho de conquistas que conhecemos. Aos poucos a marca Valley foi levando arco-íris para lavouras em todo o país. Seus esforços se transformaram em méritos. “Colocar a camisa Valleu todas as manhãs, me faz lembrar momentos difíceis da minha vida, porém muito importantes, porque foram eles que me levaram a chegar onde cheguei”, se orgulha.


Funcionários que se tornaram revendas

Muitas das revendedoras Valley são de responsabilidade de ex-funcionários, que deixaram a fábrica e foram direto para o balcão levar conhecimento e bom atendimento aos clientes. Adalmir dos Santos, o Fumaça, é um desses. Técnico em eletrônica, sua história com irrigação começa quando ele e a família migram do Piauí para São Paulo.

Na cidade grande trabalhava de dia e estudava à noite. De curso em curso foi ganhando conhecimento até ver um anúncio de emprego contratando eletricista para a Asbrasil. Se candidatou à vaga, fez o teste e começou a trabalhar. Começou como montador e logo passou a assistente técnico.

Observador, durante as viagens pela empresa, Fumaça ia trocando informações com outros profissionais. Mudou-se e foi convidado a assumir cargo em Guaíra – SP. “Coordenava meu tempo em trabalhar na fábrica em Uberaba e dar assistência técnica”. Foi cativando clientes e ganhando espaço dentro do setor.

Em 1992, assumiu a revenda em Guaíra. Junto com o sócio e os direitos trabalhistas de 12 anos de trabalho, assumiu uma dívida alta para o padrão da época e investiu no negócio. Em tempo recorde e muito trabalho pagou o financiamento. Em 2000 separou sociedade e fundou a S & A Irrigação com a ajuda da mulher. “Graças ao meu braço direito, Solange, pude ter tranquilidade em cuidar da área que mais me identifico que é o campo, enquanto ela cuida do administrativo”.

A tecnologia Valley sempre lhe chamou a atenção. Mesmo nos tempos difíceis da empresa, Fumaça acreditou e seguiu firme, recebendo a ajuda dos parceiros e amigos que fez dentro da empresa: “Tenho muito que agradecer aos velhos amigos”. Ao todo são 34 anos dedicados à irrigação, 22 como revenda. Nunca pensei em mudar de marca. Sempre acreditei na empresa. “Vi os primeiros pivots serem instalados no Brasil, numa época que muitos não acreditavam em irrigação”.

O piauiense que viu de perto a seca e o desgosto do pai ao perder dinheiro nas plantações em seu estado natal migrou para o Sudeste sem saber seu destino: o de irrigar muitas lavouras. E brinca: “Que ironia! Um nordestino trabalhar com água”. Fascinado, vê de longe seu Piauí sendo hoje um polo de agricultura, inaugurando a pouco tempo uma revenda Valley. “Estou ansioso para conhecer e cumprimentar meu colega durante a convenção de Fortaleza. Quero trocar experiências”, diz entusiasmado.

A trajetória que começou nos campos secos do Piauí e que hoje se consolida nos atendimentos e conhecimentos que Fumaça leva a todos os clientes pode ser resumida como de sucesso ao ver alegria em seus olhos: “Sou de uma família humilde, mas um dia ouvi: você é bem formado, tem conhecimento e dedicação. Você vai longe. Não tenho muita coisa, mas o que tenho devo à Valley. Toda minha história de vida profissional foi dentro da irrigação. Isso proporcionou a mim e à minha família aquilo que nunca tive acesso”.


Dos jardins para os campos de lavoura do Sul

Do outro lado do país, em Porto Alegre – RS em 1995 estava Arno Schollmeier fazendo bicos nos fins de semana, abrindo valas em jardins enterrando mangueiras para irrigar gramados com a ajuda dos filhos pequenos. Durante a semana buscava representações e através de uma delas, importou aspersores escamoteáveis da Alemanha com a venda do único carro: um Apolo 91.

Um dia foi perguntado por que não vendia pivot central. Lembrou-se então da época em que trabalhou por pequeno período numa revenda Valmatic. Soube que um dos sócios-proprietários da então Asbrasil estaria na cidade nos próximos dias. Através da intervenção de um ex-chefe que conhecia os pivots, recebeu o convite de ir a Uberaba para uma conversa. Era início do ano de 1997 e começava a sua trajetória em meio aos pivots centrais. “A empresa começou tão pequena que durante o dia não tinha ninguém para atender o telefone e o fax era a única forma de comunicação com meus fornecedores e clientes”, lembra.

O começo não foi fácil. Nascia em Panambí – RS, ainda prematura a Pivot Sul enfrentando o maior concorrente da época. Apesar de conhecer os clientes e o equipamento, o primeiro ano foi muito complicado e nada foi vendido. “O cliente daquela época, não acreditava e preferia comprar de outros estados. Só após três anos as barreiras do bairrismo foram vencidas e vendemos cinco equipamentos”.

Mas os resultados ainda não eram bons. Vendendo pouco, Arno mudou a estratégia: ao invés de buscar orçamentos, se dedicou aos clientes que tinha conquistado. As vendas aumentaram consideravelmente e sentiu a confiança que precisava para seguir adiante. Convidou a esposa Mariane, que morava em Porto Alegre e trabalhava como fisioterapeuta, a ajuda-lo nos negócios. “Minha primeira providência foi passar o serviço do escritório e o caixa para as mãos dela. E foi ai que a empresa passou a existir de verdade! O que era um sonho passou a ser realidade”.

A rotina mudou. Nos fins de semana sentavam planejando o futuro da empresa, tomando chimarrão. O casal participava sempre das reuniões e das convenções da fábrica. Enquanto Arno tratava de um assunto, Mariane se destacava tirava dúvidas com técnicos de outras revendas, discutindo e levando suas opiniões para a diretoria.  “Aproveitei a passagem de um cavalo, que não estava encilhado e subi nele. Só que fiquei  olhando para  trás, olhando para o passado.  Com a ajuda da minha esposa é que eu me virei sobre o cavalo e passei a olhar para frente, vislumbrando um futuro”.

O crescimento não foi tão rápido quanto pensavam. A concorrência era agressiva e desleal. Existia medo em investir em pessoal, não podendo pagar o custo. Mas novamente a luz surgiu depois que fizeram um curso na Fundação Dom Cabral oferecido pela Valmont. A empresa viu que se destacava pela solidez financeira e possibilidade de investimento no negócio. Participaram do PDRV, treinaram funcionários. Pensávamos que com mais pessoas iríamos trabalhar menos.  E o que aconteceu foi que a empresa cresceu e de um momento para outro triplicou, junto com as vendas e o trabalho também”.

Foi com trabalho e, sobretudo, com garra que Arno e Mariane elevaram a Pivotsul para uma das melhores revendas Valley, adquiriram muitas vezes pontuação prata no PDRV. São 15 anos de trabalho, e muita dedicação que colocaram a revenda em destaque. Trabalhar com irrigação é sinônimo de trabalho sete dias da semana e pelo menos 15 horas por dia. Minha esposa, parceira de todas as horas, diz que não tem roupas no armário que não sejam uniforme. Não há tempo para trocar de roupa. Assim se precisamos ir ao supermercado ou na padaria, vamos com a camisa Valley que para nós significa compromisso com os nossos clientes. É nossa paixão!”.

Quando pela primeira vez viu um pivot central em 1985 através de um folder e ficou impressionado com o tamanho do equipamento, Arno não imaginava que 12 anos depois sua vida estaria ligada a ele. “Durante a conversa em Uberaba, viram a sua frente alguém que não tinha nada, a não ser alguém com muita garra e força de vontade”. A paixão por irrigar, talvez surgisse naquele momento e anos mais tarde estaria estampada na marca que carrega todos os dias.


Os casos de sucessão e sucesso

Ainda que os números sejam positivos, existe uma grande preocupação em manter uma empresa familiar. Pesquisas apontam que as empresas familiares representam a maioria das companhias brasileiras e, de acordo com o Sebrae, equivalem a 90% do total, por isso desempenham importante papel no desenvolvimento do país e na formação do Produto Interno Bruto – PIB.

Graças ao trabalho de muitos pais brasileiros, esses números são expressivos, mas casos nos mostram que na prática a representação deles nem sempre pode ser considerada. A sucessão familiar nas empresas é preocupação de muitas famílias quando percebem que os filhos não querem continuar o trabalho dos pais por acreditarem em outras profissões ou ainda por não terem interesse pela sucessão. Muitas vezes é um trabalho complicado, pois envolve situações de conflito e discordâncias que magoam tanto pais quanto filhos.

Este não é o caso das revendas Valley Pivodrip em Patos de Minas – MG e Luiz Eduardo Magalhães – BA; Pivosul em Panambi e São Luiz Gonzaga – RS; Germek em São José do Rio Pardo – SP; Pivot em Goiânia, Cristalina, Formosa – GO, Paracatu e Unaí – MG; e da Pivotec em Santa Juliana, São Gotardo – MG e Rio Verde - GO. Nessas revendas toda a família veste a camisa Valley, mostrando que todos têm não só paixão em irrigar, mas também em continuar no rumo certo. São casos de sucesso que deixam os pais dessas revendas orgulhosos e tranquilos quanto à continuidade de tanto trabalho e suor.

O exemplo dessas revendas é importante, pois, conforme estatísticas, de cada 100 empresas familiares fundadas no Brasil e no mundo, apenas 30 sobrevivem à segunda geração, 15 empresas à terceira e quatro sobrevivem à quarta geração, ilustrando aquela velha história: “pai rico, filho nobre e neto pobre”.

A Valmont tem cada vez mais levado em consideração a importância das sucessões dentro das revendas Valley. Chamar a atenção para isso é dar a cada revendedor a questão em ter o trabalho de anos, mantido a passos fortes e determinados que os filhos têm, dinamismo da juventude e da garra em trabalhar em nome da irrigação. São na verdade, trocas de experiências que auxiliam no profissionalismo das duas gerações, além de poder trabalhar em uma convivência madura e respeitada.

As chances de uma sucessão acontecer naturalmente são poucas e o processo deve iniciar o mais cedo possível, considerando regras e consequentemente profissionalização. Pais e filhos juntos podem desenvolver ações de grande valia para a empresa. A figura do sucessor é muito mais que a liderança, é a manutenção da fonte de renda para sustentar a família, além da continuidade do sonho do empreendedor que a fundou. 

Levar a cada manhã o filho para o trabalho é o sonho de cada pai, depois de anos a fio buscando clientes, levando assistência técnica e desenvolvendo elos que levaram cada uma das revendas Valley a sair de um projeto e chegarem onde estão. Esse sonho não é apenas dos pais, mas também da Valmont que se orgulha e parabeniza a todos que fazem parte da Família Valley.


A convenção 2014

O tema da convenção 2014 é Família Valley e foi propositalmente pensado para homenagear homens e mulheres que dedicam-se diariamente não apenas pela marca Valley, mas sobretudo, pela irrigação no Brasil. São dias e dias levando conhecimento e tecnologia através dos pivots centrais da Valmont e onde famílias inteiras no Brasil são alimentadas durante todo o ano. Carlos Reiz resume: “De todos os problemas que já tive o maior foi o sacrifício em ficar longe da minha família. Fui infelizmente um pai ausente. Viajava muito. Por isso que quando o tema da convenção foi pensado, disse que seria importante homenagear a família”.

Contentes e apaixonados pelo que fazem, é bonito ver tantos olhos apaixonados, tantos sorrisos e algumas vezes, vozes embargadas quando o assunto é irrigação. O orgulho e a paixão dos funcionários, revendedores e colaboradores que participam do processo de levar pivots Valley às lavouras brasileiras, não nos dá apenas noção do comprometimento desses que todos os dias saem de suas casas para auxiliar na cadeia produtiva da agricultura, mas também, o de serem todos dignos de aplausos e agradecimentos: das famílias brasileiras para a Família Valley.


Matéria de capa publicada em Pivot Poin Brasil - dezembro de 2014

Theodorus Swart – o holandês que se tornou brasileiro

Muitas histórias nos são contadas todos os dias. Todavia, muitas são cheias de dificuldades, conquistas e sucesso. A história de vida de Theodorus Swart não é diferente. E não é diferente também a importância de narrá-la e servir de inspiração e exemplo.
Ainda criança, Theodorus saiu de seu país de origem aos dez anos. Acompanhando seus pais e irmãos, a família sai da Holanda em busca de novas oportunidades. As condições holandesas naquela época não eram boas. O país sofria com a devastação causada pela Segunda Guerra e o próprio governo incentivava a imigração. Austrália, África do Sul, Canadá, França e o Brasil eram o destino de muitos holandeses. Aqui a família Swart desembarcou, por dois motivos: o país estava investindo em agricultura e era um país católico. Aliás, grandes grupos de holandeses vieram para terras tupiniquins exatamente pela abrangência do catolicismo, que, através da Associação Neerlandesa dos Lavradores e Horticultores Católicos formavam colônias que coordenavam as imigrações, seguindo acordo com o governo brasileiro.

Em uma dessas colônias veio parar o pequeno Theodorus. Holambra, a cidade das flores, era ainda uma pequena colônia de holandeses aberta para novas conquistas. O nome surge das iniciais de Holanda, América e Brasil. Ali a agricultura e a pecuária leiteira, atividades desenvolvidas pela família Swart, foram mostrando a força de um povo forte por natureza e cheio de vontade de trabalhar.

Aos 18 anos, Theodorus junto com um dos irmãos, muda-se para Holambra II, onde continua até hoje. Começam juntos a plantar e se profissionalizar dentro da agricultura, a construir suas famílias e abrir dentro da região de Paranapanema, um verdadeiro canteiro de culturas de onde sairia muito feijão para muitos pratos brasileiros.

A vida não era fácil. Embaixo de sol, chuva, dia ou noite Theo Swart plantava soja, arroz, milho e algodão. Ao se lembrar daqueles tempos, comenta como era difícil trabalhar por até 36 horas sem dormir para arar a terra a ser semeada antes da chuva. Tudo era bem complicado e a luz no fim do túnel foi vista em 1985, quando o agricultor ficou conheceu um pivô. “Fomos até Guaíra conhecer o equipamento. Nessa época já trabalhava com o sistema de canhões, complicado porque tínhamos que levar de um lado para o outro. Quando vimos a estrutura daquele tamanho andando, podendo trabalhar inclusive à noite quando é melhor o aproveitamento da água pelo solo, falei: vamos acabar com aquilo que temos e vamos passar a colocar pivô central!”.


O primeiro pivô

Menos de um ano depois da apresentação ao sistema de irrigação, Theodorus e mais cinco produtores fizeram o grande investimento de suas vidas: uniram-se em busca de negociação e num pacote só adquiriram seis pivôs. Tratava-se de um Carbundum, marca francesa já sem produção. Mesmo sabendo que teria mais produção, as expectativas surpreenderam: “Para nós aquilo foi uma evolução! Uma mudança radical que aconteceu em nossa região! Basta ver quantos pivôs temos por aqui hoje: mais de 2 mil”. A satisfação da colheita levou à compra do segundo pivô: um Asbrasil – fábrica que em 1997 se fundi à Valmont. A escolha foi baseada no antigo sistema de irrigação através dos canhões que eram assinados pela empresa. A foto desse equipamento está na parede do escritório.

A aquisição dos pivôs mudou a vida de Theodorus Swart. A partir do investimento começou a plantar de forma programada. Foi vendo rapidamente que o que plantava em cinco anos, estava fazendo em um. Rapidamente viu que tinha feito um bom negócio, seus lucros foram aparecendo, cada vez mais foi podendo ter controle sobre suas lavouras e chegar aonde chegou: “A irrigação trouxe para nós outra realidade. Mudou o serviço, mudou o trabalho. Hoje podemos manter culturas e funcionários o ano todo”.


A sucessão familiar

A realidade de Theodorus infelizmente não é a mesma de tantos outros produtores brasileiros. A falta de incentivos e tecnologias nem sempre convence os filhos a continuarem os passos dos pais, que têm que se render à contratações e administrações terceirizadas. Trinta anos após o primeiro sistema de irrigação e 51 pivôs, a família de agricultores Swart tem caras novas. Trabalhando com os filhos Ricardo, Eduardo e Cristiano, o agricultor, tem a alegria e a confiança de ter em sua mesa, toda a família planejando as questões do plantio certo na hora certa. O que antes fazia sozinho, hoje tem lado a lado três engenheiros agrônomos além do genro zootecnista e especialista em genética para discutirem as questões das fazendas.

Essa sucessão foi seguindo o caminho mais simples: o do exemplo. A convivência é para o Sr. Swart a grande diferença. Foi levando os filhos ainda pequenos para a lavoura que fez nascer o heroico espírito de ser agricultor em cada um dos meninos. “Tem que gostar. Tem que levar junto e mostrar a convivência. Nunca falei para nenhum deles ser agrônomo. Seguiram esse caminho porque gostaram do que foram vendo. É querer viver do e no campo”.

Emocionado, Theo mostra-se feliz ao ver os filhos juntos e se considera um homem realizado. O que começou em 1986 com a aquisição do primeiro pivô, juntamente com o trabalho diário mostra no rosto do holandês que se diz brasileiro, um homem firme, mas cheio de orgulho e satisfação. “Quando tinha dez anos já estava em cima de um trator. Aos 15 dirigia caminhão. Acho que começamos a nos espelhar nele, pegar gosto e assim aprender a dar valor nas coisas. É lá debaixo que temos que aprender para que um dia possamos ensinar. E isso estou tentando fazer igualzinho com meu filho”, conta Ricardo Swart, filho mais velho.

Para o irmão Eduardo Swart, o maior exemplo é a perseverança: “Desde moleque vi com meu pai que era preciso trabalhar bastante para se conquistar as coisas. Ao acompanha-lo nascia o interesse em fazer o que fazia”.

Hoje com uma produção em quatro propriedades, Theodorus Swart produz feijão, soja, milho para sementes, trigo, cevada, aveia para cobertura e algodão. Mesmo com as dificuldades em ser produtor no Brasil, com a falta de escoamento para o transporte da produção, portos sem infraestrutura, burocracias nos financiamentos e ferrovias que nunca saem do papel, Theodorus vê que sua condição é hoje diferente graças à irrigação. Ao voltar os olhos para as manchas de sol presentes em seus braços, lembra-se da dificuldade em esperar a chuva para colher: “O que começamos com o primeiro pivô, junto com o trabalho nos trouxe onde estamos hoje. Se não tivesse escolhido por irrigar, não sei se estaríamos aqui”. E Ricardo completa: “Irrigar é um seguro seu, junto com o plantio direto. Você não pode errar. O custo é muito alto para se ter uma lavoura seja do que for. Se você errar e não colher nada, imagina o que é preciso para se recuperar? Talvez isso nunca aconteça”.

Aos dez anos de idade Theodorus Swart, sai da Holanda e atravessa um Atlântico inteiro junto com seus pais e irmãos atrás de um sonho: uma nova vida em uma nova terra. O Brasil era o destino. O que o pequeno holandês não sabia era que aquela seria sua primeira grande aventura. Dali em diante sua vida seria marcada por grandes desafios, dificuldades, e, enormes conquistas. Seu destino não era apenas chegar ao novo país desconhecido, mas sim, ser um grande agricultor. Chegava ao Brasil um menino que apostaria e confiaria na irrigação para ir longe. E mais: sendo exemplo e seguido pelos filhos.

Matéria publicada em Pivot Point Brasil - dezembro de 2014

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Américas - O novo mundo?

Durante a colonização das Américas, entre os séculos XVI e XIX, as atividades econômicas foram primordiais para a entrada do colonizador e assim, a construção de um novo mundo. Os textos de Enrique Florescano, “A formação e a estrutura econômica da hacienda na Nova Espanha” e “A economia e a sociedade rural da América do Sul espanhola no período colonial”, narram de forma bastante nítida a formação econômica dessas regiões que, basicamente sofreram as mesmas formas de invasão que transformou tanto as Américas e a Espanha, como toda a Europa. 

O colonizador logo no princípio percebeu a necessidade de construir uma verdadeira colônia onde fosse possível gerar uma sustentação econômica para sustentar aquela que foi sua principal nova geração de economia: a mineração. Assim, as haciendas surgiram onde toda uma produção agrícola produzia meios de subsistência para os trabalhadores nas minas de ouro e prata. Alimentação, moradia e vestuário nasciam e eram produzidos nas haciendas. Mineradores tinham suas necessidade totalmente supridas através do trabalho nas haciendas e daqueles que trabalhavam nelas. Nessa leva, índios e nativos faziam parte do quadro de “funcionários”. 

Além da chegada dos espanhóis, outra mudança ocorria: o ambiente físico das Américas sofria transformações. As produções agrícolas e os pastos tomavam conta dos planaltos de onde é hoje o México, antes Nova Espanha. Nesse novo ambiente, a cana-de-açúcar, o milho, o trigo, porcos, cabras, ovelhas e galinhas, ilustravam a paisagem de onde antes estavam aldeias inteiras e com as haciendas, índios saiam de suas tribos com o intuito de trabalhar levado por contos de distribuição de terra. 

Mas, os espanhóis não se interessavam a princípio pela agricultura. A essa altura a produção de alimentos era basicamente a de satisfazer a demanda das haciendas e consequentemente das minas. Para que dessem certo as ideias colonizadoras de produção eficazes para alimentar as haciendas, a distribuição de terras regulares foi feita pelos ouvidores, onde um lote de terra devia servir para a construção de uma casa e a plantação de uma horta. O pagamento era o trabalho. As novas vilas surgiam. 

Contudo, essa visão lucrativa do colonizador de não perceber a importância da produção que estava acontecendo na Nova Espanha mudou. A concessão de terras surge. Hectares de terras indígenas foram divididos: uma parte era destinada ao núcleo da aldeia e outra reservada para a terra comunal onde seriam realizadas atividades agrícolas de agricultura e pecuária. A Coroa utiliza agora a terra para a criação de gado e mais: encorajava aqueles que a fizessem. Assim, a produção econômica da Nova Espanha muda, ou melhor, adquire mais uma forma de extração, dando assim estabilidade tanto para a Coroa como para as haciendas

Não demorou muito para que as cidades maiores começassem a gerar mão-de-obra indígena e onde nativos fizessem negociatas de compra e venda. De um lado o índio fornecia o trabalho de toda a aldeia gerando um sistema ainda maior de exploração. De outro, escravos africanos surgem como importante força de trabalho permanente, para acelerar o desenvolvimento da agricultura, da pecuária e da mineração. O índio, portanto, produzia ainda mais sob o sistema da encomienda, adotando métodos de produção para acelerar sua subsistência e adquirir o excedente exigido. 

Esse novo sistema econômico e social gerava gêneros alimentícios para os mercados urbanos, mas, não garantiu trabalhadores permanentes. A maioria, assim que recebia uma determinada quantia, voltava para suas aldeias e vilas e voltando para a cidade quando a dificuldade batia novamente à porta. Surgia então a ausência de um mercado de trabalho, que gerava ainda, a dependências de fontes externas, taxas religiosas e maior dominação. Para solucionar o problema, a maneira de aliviar a situação do colonizador foi adiantar dinheiro, roupas e etc. Emprestando renda, os endividados eram mantidos permanentemente ligado à hacienda. A vantagem só aumentava para as haciendas, para os encomiendeiros, para a Coroa e agora também, para a Igreja. 

A comercialização de todos esses produtos dava à cidade-capital uma grande concentração de pessoas, onde os lucros monetários e as transações das minas e dos rendimentos agrícolas eram negociados em dinheiro. A demanda era tamanha que a essa altura existiam dois pólos: os centros administrativos e políticos, e os complexos de mineração. 

Na América do Sul a realidade não foi muito diferente. A diferença maior foi que, enquanto na Nova Espanha (México e América Central) primeiro se basearam na mineração para depois atingir a produção agrícola e pecuária, na Nova Granada (América do Sul) ocorreu o inverso. Muito talvez pela dificuldade de extração de ouro e prata e pelos altos e baixos da topografia no Sul da América. Além dessas, o fator clima também dava aos colonizadores, dificuldades de acessar as propriedades da terra - como no alto dos Andes e as grandes altitudes. Assim, as pastagens e a cultura de milho e trigo deram novos rumos à economia da América do Sul, principalmente nas regiões do Peru, da Bolívia e do Equador. Outra grande diferença foi a presença marcante de ordens religiosas como os jesuítas que construíram a fé de proprietários, nativos e indígenas, e assim, formas de obtenção de rendas para a aquisição de terras e de manutenção das necessidades jesuítas. 

O número crescente de espanhóis foi dando novas faces para toda a América, tanto na Nova Espanha, quanto na Nova Granada. Além da mudança étnica, a paisagem foi sendo incorporada ao potencial econômico que a América espanhola gerava. Campos foram se tornando cenários de pastagens e de agriculturas. Montanhas se tornaram minas. Índios se tornaram trabalhadores assalariados e todos iam à Igreja levar seu dízimo para um lugar no Céu. A conquista das Américas trouxe aceleração de todas as formas, mas a cultura de gerar economia foi mesmo a grande modificadora do cenário. O lucro atropelou todas as culturas existentes e deixou sua marca em tudo, principalmente na disseminação de aldeias inteiras e de suas identidades. A América, para cima do México era uma nova-velha Inglaterra, e abaixo, um nova-velha Espanha. 



segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Idade Média... e o homem volta ao campo

O Jardim das Delícias Terrenas
Hieronymus Bosch - 1503
A Idade Média foi a época de transição entre o mundo clássico para a idade moderna. Transformou não só uma época com suas descobertas e inovações, mas, sobretudo, homens e o que esses mesmos fizeram para compor a história. A dor e a alegria de viver estiveram presentes aos anos que somaram à inauguração de novos tempos. A peste e as guerras estiveram tão firmemente marcadas nesse contexto histórico que seria difícil visualizar um tempo – entre os séculos XI e XV – sem que não tivessem acontecido.
Johan Huizinga
As definições de céu e inferno eram muito bem esclarecidas, pois, se houvesse provação, essa não poderia deixar de ser se não fosse a daqueles tempos escuros, frios e consequentemente monótonos, mesmo com acontecimentos tão endurecidos surgindo o tempo todo. A cada guerra e a cada nova epidemia que surgia era como se fosse um alívio para que o real motivo de viver naqueles tempos fossem mesmo o de passar pelo sofrimento e pela ausência do sossego. Contudo, havia um ar romântico a todo instante. A real circunstância da vida medieval dava tons pastel de poesia e literatura a uma sangrenta e fétida realidade. Como que contraditório, o homem da Idade Média via no sofrimento a grande razão para ser. Desta maneira, o historiador holandês Johan Huizinga (1872-1945) traduz de modo poético ao iniciar sua obra “O outono da Idade Média”:

 “Quando o mundo era cinco séculos mais jovem, tudo o que acontecia na vida era dotado de contornos bem mais nítidos que os de hoje. Entre a dor e a alegria, entre o infortúnio e a felicidade, a distância parecia maior do que para nós...”

As melancolias desses tempos deram ainda mais nitidez aos contrastes de cada contexto histórico. O desenvolvimento da cristandade surge levando fiéis que deixavam de viver seu tempo real na Terra para vislumbrar um paraíso que ansiavam existir. Junto ao crescimento da Igreja, surge o crescimento rural, seus processos agrícolas e demográficos. Essas relações são decorrentes dos freqüentes fenômenos dramáticos que rondam sociedades inteiras. Cidades de toda a Europa se rendem ao temor e juntas se dissimilam criando novas comunidades. O medo da peste assombra todos. Um terço da população se torna vítima da pandemia. Mais um tanto está assombrado pelas guerras e suas conseqüências:

O Triunfo da Morte - afresco em Palermo - 1446
(...) a mortandade e o medo que ela suscitava eram tão vivos que “as pessoas morriam sem servidor e eram enterradas sem sacerdote. O pai não visitava seu filho, nem o filho visitava seu pai: a caridade estava morta e a esperança, abatida” (Baschet, P. 248)

Contradizendo em partes a história da Idade Média pintada quase que em afrescos por J. Huizinga, J. Baschet coloca o homem do período, com menores tons pastel e coloridos e mais nuançado, acinzentado de um inverno triste e ainda com pinceladas de um vermelho sangrento. O homem está sim vivendo um momento de decisão e com todo o peso que uma mudança traz. Ele consegue se situar de maneira dolorosa no mundo real em que vive. Mostra que sabe disso, levanta questionamentos e rebeliões. De certa forma traduz para si mesmo o que a vida que vê é mesmo aquela que deveria ter. Quase um positivista:

“(...) O pessimismo invade os espíritos e o sentimento de viver em mundo que agoniza, que chega ao seu fim, se faz mais presente do que nunca. A obsessão da morte explode em todos os lugares, nas práticas funerárias assim como na literatura e na arte, onde os temas macabros ganham destaque.” (Baschet, P. 252)

E é a arte a maior fonte histórica onde o historiador se baseia para incorporar o mundo vivente da Idade Média. É através de obras ricas e valorizadas nos dias de hoje que vemos o desenvolvimento contínuo das cidades, do comércio e da vida no campo. Nessas obras percebemos ainda a organização social bem expressada e representada – a realeza, o campesionato, as formas de trabalho. Junto a essas questões sociais, podemos vem ainda o poderio da Igreja sobre não somente as pessoas, mas como também sobre os artistas.

“A arte romântica, produto e expressão do desenvolvimento da Cristandade após o ano mil, transforma-se no transcurso do século 12. Seu novo rosto, o gótico, é uma arte urbana. Arte das catedrais surgidas do corpo urbano, elas o sublinham e o dominam. A iconografia das catedrais é a expressão da cultura urbana: a vida ativa e a vida contemplativa buscam um equilíbrio instável, as corporações ornamentando as igrejas com vitrais e o saber escolástico aí sendo exibido. Em redor da cidade, as igrejas rurais reproduzem com menor felicidade artística e com recursos materiais muito mais limitados a planta da catedral da cidade-modelo ou algum de seus elementos mais significativos: o campanário, a torre, o tímpano. Feita para abrigar um povo novo, mais numeroso, mais humano e mais realista, a catedral não deixa de recordar-lhe a vida rural próxima e benfazeja. O tema dos meses, no qual são representados os trabalhos rurais, continua a ser um dos ornamentos tradicionais da igreja urbana.” (Le Goff, P. 75 e 76)

Algumas situações entram em cena. Os poderes político e militar evoluem e se tornam nobres. A soberania da Igreja entra em conflito, mas continua firme e consistente. Tanto que é levada além mar para a nova descoberta: a América. Para isso surgem ferramentas para a concretização dessa conquista: a bússola, as caravelas e os instrumentos navais.

“(...) A colonização ultra-atlântica não é o resultado de um mundo novo, nascido sobre o húmus em que se decompõe uma Idade Média agonizante. Para além das transformações, das crises e dos obstáculos, é a sociedade feudal, prosseguindo a trajetória observada desde a aurora do segundo milênio, que empurra a Europa para o mar.” (Baschet, P. 274)

É esse mundo que mesmo sob as dificuldades, leva o prolongamento de suas questões e teorias para o outro lado do oceano. Um mundo que de um lado atravessa o Atlântico em busca de um novo mundo, mas que de fato está enraizado à época que o traduz e o que o forma como é. 


Entre as questões que de um lado defendem a (ainda) existência do feudalismo e de outro, a criação do capitalismo surgem algumas faces. Huizinga acreditando que com as descobertas das Américas cai o conceito de tudo que engloba o que temos por noção Idade Média e Baschet percebendo dentro de suas razões que muito ainda aconteceu para que a Idade Moderna surgisse de fato. Talvez só mesmo o século XX se torna totalmente livre das representações do feudalismo e dos comportamentos da Idade Média. De qualquer forma, foi através da historiografia medieval que foi criada e apresentada uma nova maneira de pensar e de fazer História.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Expocigra – feira multissetorial do Vale do Rio Grande apresenta fomento industrial e conquista uberabenses

A Expocigra – 1ª Feira Multissetorial do Vale do Rio Grande abriu para a cidade de Uberaba a portas das indústrias locais. Realizada pelo Centro das Indústrias do Vale do Rio Grande – Cigra, a feira traz a público a imensa produção industrial municipal e regional, focando não somente a apresentação, mas acima de tudo, levando a importância do setor para a economia de toda a região do vale, como gerador de renda e emprego.

Durante todos os dias o que se pode ver foi uma imensa integração entre empresários e visitantes. Aberta na quarta-feira, 18 de setembro, a Expocigra já começou mostrando que seria um sucesso. Autoridades e empresários da cidade puderam conhecer e apresentar os produtos industrializados de Uberaba e região. A solenidade de abertura foi feita com o presidente do Cigra, Marcelo Zaidan que comentou a importância da feira como mostra da indústria da cidade e marco, visto a nova fase da indústria regional.

Importantes representantes da cidade no Estado estiveram presentes, como o Secretário de Ciências, Tecnologia e Ensino Superior, Nárcio Rodrigues representando o governador de Minas, Antonio Anastasia. O secretário exaltou a importância da Expocigra através do papel de recuperar a imagem das indústrias da cidade e apresenta-las ao público local. O secretário também comentou a importância da chegada da fábrica de turbina a gás, onde Uberaba fará parte do projeto do governo estadual. Ilustrando o projeto, no estande da secretaria esteve exposto durante toda a feira, o protótipo de um avião. O avião-projeto, conhecido como Tupã em homenagem a cidade em que foi construído, Tupaciguara, está bem adiantado, transformando em um futuro próximo a cidade em sede do aeródromo no Estado para testes de aeronaves.

O segundo dia da Expocigra marcou a importância da inovação como ferramenta para o setor industrial. Paralelo ao evento e através da parceria com o Sistema Mineiro de Inovação – Simi, o 3º Siminove – Seminário de Inovação e Empreendorismo trouxe profissionais de diversos setores econômicos e industriais, contemplando temas como inovação como oportunidade para novos mercados; investimentos em inovação; inovação aberta; competitividade; modelo de negócio inovador; e empreendorismo.

Destaque para a palestra magna ministrada pelo Coronel Marco Antonio Sala “Turbina a Gás – um projeto para Uberaba”, que trouxe a importância da instalação da empresa como salto não somente para a economia da cidade, como do Triângulo Mineiro e de Minas Gerais. O palestrante comentou que pesquisa, desenvolvimento e produção de turbina a gás possuem efeito de arrasto tecnológico, tornando a indústria brasileira mais competitiva globalmente.

Trezentas pessoas participaram, entre empresários, empreendedores, pesquisadores e estudantes universitários e de ensino técnico, buscando novas ideias e conhecimentos. Através da realização do 3º Siminove, a Expocigra traz sua maior responsabilidade: a de ser elo entre o empresário local e as novas tecnologias.

Em sumo a Expocigra marcou definitivamente seu espaço no calendário local. Já em sua primeira edição, a feira conseguiu mostrar a importância do setor e mais: levou aos visitantes a tradução do crescimento que Uberaba passará em alguns anos, alertando não só o empresariado, mas a cidade como um todo.

Houve ainda espaço para a cultura local com a apresentação de músicos de renome durante todos os dias de feira, com o intuito de comemorar a realização de negócios. No sábado, dia 21/09, a Expocigra apresentou desfile organizado pelo Sindicato do Vestuário de Uberaba – Sindivestu, levando ao conhecimento a qualidade das empresas locais.

Milhares de visitantes estiveram presentes, buscando conhecimentos, informações além de aproveitarem a oportunidade e fazerem bons negócios. “Lançamos a semente. O que o Cigra na sua atual gestão pretende é que essa não seja a única, mas sim a primeira de muitas Expocigra”, finaliza o presidente Marcelo Zaidan. 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ah quem dera...

Quem dera se meus medos fossem o da noite fria, escura e calada.
Quem dera se meus medos fossem da visita inesperada do lobo faminto ou do encontro com o gado selvagem.
Quem dera se meus medos fossem apenas o da tempestade, com seus raios relâmpagos e trovões.
Quem dera se meus medos fossem apenas de encontrar pelo caminho cobras peçonhentas e que para driblá-las, precisasse aquietar e racionalizar como fazer.
Quem dera se meus medos fossem ainda o do súbito em acordar de um pesadelo horrendo... 
Ou ainda que se resumissem somente no medo do inverno rigoroso, que gera a seca e a fome de tantos...
Quem dera se todo dia, minha única fraqueza fosse a de levantar de um sono tranqüilo.
Quem dera se a solidão não fosse vista como um fantasma... E que o amor pudesse ser maior que todos os medos.
Quem dera se a minha sabedoria oculta, pudesse fazer de mim, coragem. E que fosse forte pra espantar todos os medos, e deixasse apenas a noite fria, escura e calada, o lobo faminto, o gado selvagem, a tempestade, as cobras, os pesadelos e o inverno rigoroso... deixando assim apenas a paz necessária para me abastecer.