segunda-feira, 29 de abril de 2013

O que fez com que os gregos tivessem a necessidade de criar a filosofia, a política e o espaço público?

www.casadogalo.com

As origens de conceitos que hoje vemos como algo tão natural, tais como a civilização e a política, surgem numa época distante, e que, foram marco importante para o que conhecemos hoje. As concepções que temos desses que são para nós termos já tão discutidos e de convivência desde os primórdios, teriam suas primeiras percepções entre os séculos IX e VII a.C. Uma pergunta aguça nossa curiosidade: o que fez com que os gregos tivessem a necessidade de criar a filosofia, a política e o espaço público?
Braudel (Gramática das Civilizações. São Paulo: Martins Fontes, 2004), vê o Mediterrâneo antigo como um conjunto de conquistas. Para ele a sociedade modifica o ambiente. Ainda que a geografia não interfira o meio, ela modifica e se relaciona com a história. A palavra ‘civilização’, tem origem na antiguidade, mas somente no século XVIII durante o Iluminismo na Franca, a palavra cria significação e surge como é vista hoje. Falar em civilização é falar em espaço, que não permanece alterado, mas, muda. As tensões sociais geram as primeiras civilizações, que são econômicas e materialistas. Além de espaços, economias e sociedades, a civilização também é mentalidade coletiva que são ainda, relações coletivas. 
Muito antes de se conhecer os conceitos de política e civilização, o chamado “milagre grego” nas suas formas de falar e escrever deu ao mundo duas facetas: os lineares Alfa e Beta (A e B). Esses dois lineares deram à Grécia suas peculiaridades, personalizando e dando ao grego as propriedades que desde a antiguidade o coloca como diferencial na história da humanidade. Mas, esse povo tão respeitado pelas suas conquistas eram na verdade, povos imigrantes mestiços oriundos da mistificação de tribos e de etnias tanto do Ocidente quanto do Oriente. Podemos perceber isso citando Jean-Pierre Vernant em “As Origens do Pensamento Grego”, já no primeiro capítulo, página 13:

No começo do II milênio, o Mediterrâneo não marca ainda em suas duas margens uma separação entre o Oriente e o Ocidente. O mundo egeu e a península grega se ligam sem descontinuidade, como povoação e como cultura, de um lado com o planalto Anatólio, pela série das Cíclades e das Espórades, e de outro, por Rodes, pela Cilícia, por Chipre e costa norte da Síria, com a Mesopotãmia e o Irã. Quando Creta sai do Cicládico, em cujo decurso dominam as relações com a Anatólia, e quando constrói em Festos, Mália e Cnossos sua primeira civilização palaciana (2000-1700), permanece orientada para os grandes reinos do Oriente Próximo.

www.leandromd.blogspot.com
“Entre 2000 e 1900 a.C. uma população nova irrompe na Grécia continental” (As Origens do Pensamento Grego. São Paulo: DIFEL, 2010, p. 14). As características que marcaram o Heládico antigo, como os utensílios domésticos, a cerâmica, as ferramentas e as armas, passam por modificações e outros traços rompem, marcando a ruptura do homem e da civilização da idade anterior. As invasões vão se tornando cada vez mais sucessivas e a colonização no Mediterrâneo ocidental vão constituir o mundo grego como conhecemos. O antepassado do homem grego é de vários lugares. “Seu aparecimento nas margens do Mediterrâneo não constitui um fenômeno isolado” (As Origens do Pensamento Grego. São Paulo: DIFEL, 2010, p. 14). Vários traços de novas civilizações e povos surgem, dando a condição do que o grego se torna. Tróia, Creta e outras vão se tornando gregas como a Grécia se tornando uma colonização. Maneiras de se eternizar esses acontecimentos transformam a história, como através de escritas em facetas de barro que quando importantes, eram queimadas para se tornar um fato histórico.

Creta lhes revelou um modo de vista e de pensamento inteiramente novo para eles. Já se esboçou esta cretização  progressiva do mundo micênico que resultará, após 1450, numa civilização palaciana comum na ilha Grécia continental.

Ainda não existia a polis e para Vernant, “enquanto não existiam as cidades, não existia a política”. O surgimento do que seria a polis acontece com a crise da soberania e o desaparecimento do ánax. Surge a ideia do corpo social, o uno.

Poder de conflito – poder de união. Eris-Philia: essas duas entidades divinas, opostas e complementares, marcam como que os dois pólos da vida social no mundo aristocrático que sucede as antigas realezas. A exaltação dos valores de luta, de concorrência, de rivalidade associa-se ao sentimento de dependência para com uma só e mesma comunidade, para com uma exigência de unidade e de unificações sociais.

www.klepsidra.net
Refletido essas expressões, o grego vê a implicação de uma centralização política e administrativa. Junto nasciam os conflitos, a disputa por meios de produção e o acesso ao território e sua defesa. O comum deve ser o comum de todos. Os palácios não têm mais o efeito de oponente e surge a centralização da cidade: a Ágora. Como o espaço da Ágora definido, “Esse quadro urbano define efetivamente um espaço mental: descobre um novo horizonte espiritual. Desde que se centraliza na praça pública, a cidade já é, no sentido pleno do termo, uma polis.” (As Origens do Pensamento Grego. São Paulo: DIFEL, 2010, p. 51).
“O conflito foi uma das chaves da história das cidades-estado” (História da Cidadania. São Paulo: Contexto, 2008, p. 36). Em contrapartida, todos eram iguais. Norberto Luiz Guarinello no capítulo ‘Cidades-Estado na Antiguidade Clássica’, comenta ainda:

É um período de grandes transformações econômicas e sociais, quase uma revolução. Assim como os Estados-nacionais devem sua consolação, senão sua formação, à industrialização, ao desenvolvimento do capitalismo e á expansão imperialista da Europa no século XIX, as cidades-estado também surgiram num quadro de grandes mudanças econômicas e sociais, ainda que suas novidades seja, hoje, difícil de perceber. 

“As cidades-estados surgiram, assim, num quadro de crescimento econômico e social” (História da Cidadania. São Paulo: Contexto, 2008, p. 32).

O termo “cidade-estado” não se refere ao que hoje entendemos por “cidade”, mas a um território agrícola composto por uma ou mais planícies de variada extensão, ocupado e explorado por populações essencialmente camponesas, que assim permaneceram mesmo nos períodos de mais intensa urbanização no mundo antigo.

www.planetasustentavel.abril.com.br
A organização comunitária traça o panorama do conceito de cidade-estado. Sua formação através de associações de proprietários privados da terra dava acesso apenas àqueles que fossem membros da comunidade. Fechadas, as cidades-estados se erguiam e se estruturavam entre indivíduo e comunidade. Tudo era a mesma coisa, desde que o indivíduo fosse visto como cidadão, e, a ausência de um poder superior gerava conflitos. Eram os interesses em conflito que geravam as disputas internas, oriundos pelas regras de exclusão e inclusão do no espaço público.

Indivíduo e comunidade, portanto, não se negavam reciprocamente na cidade-estado antiga, mas, se integravam numa relação dialética. O indivíduo, proprietário autônomo de seus meios de subsistência e de riqueza, só existia e era possível no quadro de uma comunidade concreta – que possuía, por assim dizer, de modo virtual o território agrícola. Propriedade individual da terra, fechamento do acesso ao território e ausência de um poder superior que regulasse as relações entre os camponeses foram os fatores essenciais na história dessas comunidades camponesas.

Três fontes de diferenciação interna ilustram a diferenciação nas cidades-estados. A primeira, a das mulheres que, embora, tinham sua posição diferenciada em cada cidade, permanecida à margem da vida pública, sem direito á participação política, sem direitos individuais, sob tutela e dominadas pelo homem que considerava o lar como o único apropriado ao gênero feminino. Consideradas membros menores da comunidade, eram consideradas não-cidadãs.
O segundo elemento de conflito surge com a diferenciação de jovens e idosos dentro do controle das cidades-estados. Como eram fundadas e legitimadas nas tradições, os velhos tinham domínios sobre os jovens e mesmo sobre questões como as militares.
O terceiro elemento de conflito é o mais importante, pois tem suas origens na propriedade privada da terra – o principal meio de produção e responsável pelas relações de trabalho com a comunidade. 

Desde que temos registros, escritos ou arqueológicos, as cidades-estados aparecem marcadas por profundas clivagens sociais: grandes, médios e pequenos proprietários, estes últimos, muitas vezes, no limiar da subsistência; camponeses sem terra, que alugavam sua força de trabalho para um grande senhor; e os não camponeses, como artesãos e comerciantes, que habitavam o núcleo urbano e cuja posição, no seio da comunidade, foi sempre ambígua.

www.luispaulorodrigues.blogspot.com
Mais que uma cidade, a polis é uma ideia política. Uma concepção de sociedade.  Aristóteles via como uma comunidade de cidadãos.  Com o processo de formação da polis a ideia de propriedade privada, faz da terra uma comunidade de proprietários, que a defendem sem a presença de um soberano/rei. Sem a presença desse ‘rei’(ánax), os problemas eram resolvidos pelo coletivo. Aparece ainda o cerco do território, dando-se a organização da comunidade que não mais pertence a uma tribo ou coisa parecida.
A polis tem a identidade do coletivo. Na parte mais alta da polis, a Acrópole, essa ideia é um pouco minimizada, mas ainda sim, formada por coletivos. As poleis têm toda a identidade de seus cidadãos, além de ser uma sociedade política. A ideia de Política do mundo antigo não tem raízes concretas. Moses Finley, em Política no Mundo Antigo comenta as fontes que não são claras em dizer quem foram de fato os percussores do conceito de política.

A política, no sentido que lhe damos, insere-se nas atividades humanas do mundo pré-moderno. Com efeito, foi uma invenção grega ou, talvez mais corretamente, invenções independentes de Gregos, de Estruscos e/ou Romanos. Segundo se presume, existiam outras comunidades políticas no Próximo Oriente, pelo menos entre os Fenícios, que depois trouxeram as suas instituições para Catargo, no Ocidente.

E completa: “As fontes não nos dão grande ajuda. Os Gregos e os Romanos inventaram a política e, como todos sabem, inventaram também a história política, ou antes, a história da guerra e da política. Mas aquilo que todos sabem é impreciso: os historiadores que se dedicam à Antiguidade escreveram sobre a história dos planos políticos (policy), o que não é o mesmo que política (politics); escreveram primeiramente sobre os planos de política externa, ocupando-se da mecânica da realização desses planos (à parte os discursos no Senado ou na Assembléia) apenas em momentos de conflito agudo com tendência para a guerra civil” (Política no Mundo Antigo. Lisboa: Edições 70, 1983, p. 71).
www.luzecalor.blobspot.com
A história da Grécia Antiga é única e limitada a uma região que demarca o mapa do mundo. Todavia, não é a história do mundo nem da humanidade. Duas visões dão o sentido da historiografia para a antiguidade clássica. Braudel vê a necessidade do historiador em ter uma percepção multidisciplinar, através da sociologia, da filosofia, da psicologia e da antropologia. Para Guarinelo, “Se há contribuição cabível ao historiador da Antiguidade, é justamente aproximar dois mundos diferentes, mantendo sempre a consciência dessa distinção, e evidenciar processos históricos que podem iluminar os limites e as possibilidades da ação humana no campo das relações entre indivíduos. (História da Cidadania. São Paulo: Contexto, 2008, p. 29). 

terça-feira, 19 de março de 2013

Helenismo - nascimento do conceito grego dentro das culturas


Busto de Alexandre
Quando Alexandre Magno morre em 323 a.C., o “senhor da Macedônia, da Grécia, da Ásia Ocidental e do Egito” (Os Gregos Antigos. Lisboa: Edições 70, 1963, p. 145) deixa suas fronteiras à beira daquilo que talvez, nem ele e muito menor seu falecido pai Felipe II, poderiam se quer imaginar. Nascia junto à sua morte o período helenístico que emprestava toda a culturalidade grega e suas propriedades, a outros territórios que pretendiam se identificar e imitar aquela que até então era a mais bem feita forma de governança. Na verdade, muito do que o mundo contemporâneo é, mesmo nos dias de hoje para alguns. É o que o historiador Moses Finley comenta no capítulo 8 de seu livro ‘Os Gregos Antigos’:

A sua curta vida passara-se totalmente em campanhas. Se possuía algum programa de vasto alcance, quer para a organização do seu império ou para conquistas futuras, quer para a sucessão no trono, os planos morreram com ele. Parece que depositava inteira confiança nos generais e soldados macedônios e confiava pouco nos gregos e que se preparava para dar acesso à nobreza persa. Contudo, os vários projetos que os estudiosos modernos gostam de atribuir a Alexandre são altamente especulativos, sem fundamentação séria em provas existentes. De qualquer modo a morte de Alexandre pôs termo a esses possíveis planos e ao seu império.

Meio século de lutas emergiu o modelo territorial e militar helenístico. Apesar de ser considerada por M. Finley como “fastidiosa, monótona e, por vezes, repulsiva, de guerra contínua, má fé e assassinos freqüente” (Os Gregos Antigos.Lisboa: Edições 70, 1963, p. 146), a história política helenística foi levando para os reinos através de lutas, o aumento de seus territórios a custa de outros. Muitos desses tentaram movimentos de independência, todos com muitas batalhas. Foram sendo implantados os elementos característicos da polis grega como a ágora e os templos, além da língua que se tornava oficial.
O Império Macedônico
As conquistas acentuavam-se intensamente, por meio do domínio macedônico/grego, originados pela genuinidade de Alexandre. E foram essas conquistas que resultaram uma cultura vasta, feita por persas, judeus, celtas e egípcios, tendo como base cultural o grego, que permite estruturar toda a culturalização do Mediterrâneo, com o padrão grego original.
“A realidade, contudo, era decididamente não grega.” (Os Gregos Antigos. Lisboa: Edições 70, 1963, p. 147). Prova disso são as cidades helenísticas, que ao invés de terem a idéia de polis como uma organização política e uma concepção de sociedade, funcionavam como centros administrativos, não possuindo, portanto, poder de decisão. Mesmo assim, as cidades helenísticas continuam realizando assembléias. A soberania não está mais na ágora e mesmo considerados cidadãos, os mesmos não tinham autonomia.
A grande expansão grega é a polis. Como essa de fato não permanece nas cidades helenísticas, surge o conceito de ‘continuação helenística diluída e modificada’ à maneira grega, perdendo assim o status de cidade clássica grega para o conceito de poderio único de uma autoridade ou de um soberano. Mesmo com a realização de assembléias e não desaparecendo os termos de magistrados para a decisão de assuntos da esfera local, na era helenística as cidades perdem a soberania política para se converter a uma esfera administrativa. Como por exemplo, com o tratamento das questões militares que eram decididas após uma posição de Atenas. M. Finley traduz o nascimento do conceito que ilustra o modelo de governo do Império Romano:

M. Finley - 1912-1986
Apenas no continente grego e nas ilhas do Egeu (sobretudo Rodes) se lutou com alguma conseqüência para manter a vida política grega tradicional. Onde quer que a dinastia Antigónida obteve o controle total, o modelo helenístico prevaleceu, porque os Antigónidas se tornaram (ou tentaram tornar-se) tão absolutos como os seus rivais do Oriente. Contudo, a sua situação era significativamente diferente: na pátria, onde tinham a base, continuavam reis macedônicos, governando macedônicos, sem poder assumir o estilo de Próximo-Oriente de autoridade absoluta; e, no território grego conquistado, não havia população grega. Muitas vezes, o seu controle era escasso, por vezes até nem existia, numa ou noutra região, de modo que, até a conquista pelos romanos, nos meados do século segundo a.C., se pode falar de uma continuação da polis Grécia, embora diluída e modificada.

Grande parte das conquistas se fez devido a posições de segurança que expressavam sob a cultura aliada, que eram vistos como bárbaros pelos gregos. O helenismo trazia a retirada da soberania política, o aparecimento de um ser até então não conhecido – o Imperador e a renúncia do mundo em busca de uma razão interior. Foi esse relacionamento entre a cultura grega e as culturas nativas que mais adiante dá nome a uma filosofia. A estrutura de monarquia helenística e seus cultos aos monarcas que Alexandre deixou firme (quando se elevou filho de Zeus, pelos sacerdotes de Zeus-Amón identificando as duas culturas – grega e egípcia), pode ter sido o primeiro passo para o que chamou-se Estoicismo.
Diferente da polis grega, as cidades helenísticas diferenciam política de religião. É na era helenística que nascem as religiões com uma visão universal, sem radicais determinantes de cidade, região ou país. A polis, como perdera a qualidade de poderio, não capacitava mais ser o centro da vida espiritual do homem. A filosofia e a religião helenística davam a consolação e a esperança a um mundo em que as perspectivas materiais eram débeis e a política já não era objeto de análise racional, em que, por conseguinte, a ética tinha de se divorciar da sociedade e ainda mais da política corrente (Os Gregos Antigos. Lisboa: Edições 70, 1963, p. 151). M. Finley comenta:

No mundo helenístico, com sua população muito heterogênea e os seus antecedentes históricos mistos, as possibilidades de confusão, de mescla do humano e do divino, do sagrado e do secular, não tinham limites. Sejam quais forem os matizes, subsiste o fato de que o culto do governante se tornou parte integrante do politeísmo helenístico, junto de todos os setores da população.

Esses relacionamentos culturais marcam o fim do período helenístico. A evolução em decurso paralelo que geram o estoicismo garante a principal escola filosófica dos romanos, que como os judeus, não vão negar suas culturas e utilizam a cultura grega não como única, e sim, como aperfeiçoamento de suas idéias. Ao unir as culturas, os romanos não abdicam, por exemplo, a própria língua, mas somam a língua grega às suas culturas. O estoicismo fundado por Zenão no século III a.C., preconizava a indiferentismo ao prazer e a dor. Uma resignação na dor e na adversidade. M. Finley ilustra a filosofia do estoicismo aos olhos dos romanos, numa doutrina de vocação e dever, sobretudo para os governantes (Os Gregos Antigos. Lisboa: Edições 70, 1963, p. 152).

Para esses homens de ação, obviamente, a fraternidade humana e a regra da razão natural tinham tonalidades muito diferentes das do primeiro estoicismo. O objetivo agora era encontrar uma base moral sobre o qual governar um império, e após Augusto ter estabelecido um governo monárquico em Roma, ela restringiu-se ainda mais ao governo por um monarca absoluto. O rei, que também era um filosófico, tornou-se o estóico ideal, assim como o Cínico.

Arte helenística 
A “criação” do grego surge aproximadamente no século V a.C. sendo sua formação resultado da junção de vários povos. Desta forma, com a queda dos domínios gregos, surge o domínio romano. São os romanos que vão herdar as formas de relação dos gregos – como no caso de Alexandre e as relações de organização das póleis. A conquista gradual do mundo helenístico inundou Roma e a Itália com as idéias gregas, as obras de arte gregas e escravos falando grego. (...) é impossível discutir as idéias romanas separadamente dos seus modelos ou inspiração gregos (Os Gregos Antigos. Lisboa: Edições 70, 1963, p. 152 e 153).
Assim, o Império Romano foi pouco a pouco se beneficiando do helenismo que resultou na invasão do território grego e, todavia, com o fim do período helenístico. Nascia uma nova era. Uma era ocidental. O imperialismo romano criado através do processo de expansão trouxe consigo características que resultaram em camada senhorial, referências do que se tornava a aristocracia imperial romana. Junto dela, a escravidão de povos conquistados ou por dívida dava forma para aquele que seria o maior de todos os impérios. Um terço da população da península itálica é feita por escravos por diferentes formas de exploração de trabalho.

A escravidão não só influenciou a vida romana, como a vida romana influenciou a escravidão. A polis Roma nasce como uma junção de propriedades. Conforme vai se transformando em polis, o ‘cidadão’ romano pobre e escravo vai perdendo essa condição. E a escravidão por dívida é a primeira forma de escravidão conhecida em Roma e vai sendo abolida com o tempo. Passam a se organizar politicamente, transformando-se economicamente, inclusive conforme vão sendo participativos nas guerras. Os escravos por dívida pleiteiam suas participações políticas, num processo que durou aproximadamente uma década.

A origem da escravidão surge com as tensões e os conflitos sociais, oriundos da expansão militar. Fábio Joly em A Escravidão na Roma Antiga (São Paulo: Alameda, 2005) comenta a origem daquela que seria a relação de dominação permanente e violenta de pessoas desraizadas e desonradas. (A Escravidão na Roma Antiga. São Paulo: Alameda, 2005, p.33).

Os historiadores acreditam que a plebe romana tenha sua principal origem no constante afluxo de populações vizinhas em direção à cidade, o que levaria a conflitos sociais com as aristocracias latinas e etruscas aí estabelecidas.

Assim, a escravidão em Roma foi tendo um caráter pessoal e distinto. Foi se tornando uma conquista política e de certa forma, tão presente na história de Roma. (A Escravidão na Roma Antiga. São Paulo: Alameda, 2005, p.34).

Contudo, sustenta-se que a escravidão sempre presente na história romana. (provavelmente mais decorrente de dívidas do que da captura em guerras, embora esta tenha sido uma fonte), complementando a mão-de-obra do camponês, formada por membros de sua família e por clientes. Com o fim da monarquia etrusca e o crescimento do território por meio de campanhas militares, ter-se-ia consolidado em algumas áreas da Itália uma forma de exploração do trabalho mais calcada na escravidão-mercadoria.

www.historiaescravos.blogspot.com
O poder e as formas dele iam sustentando o crescimento não só da escravidão, mas do crescimento populacional de Roma e seus territórios. E a dependência ou não desse processo, cabia a senhor relacionar com seus escravos. Em alguns casos, há presença de escravos independentes. A independência desses escravos pode ser resumida pela observação dos senhores em perceber que o bom relacionamento com seus escravos os preveniam de rebeliões e revoltas. (A Escravidão na Roma Antiga. São Paulo: Alameda, 2005, p.35).


Formou-se então, encabeçado por Roma, um complexo sistema de territórios com povos e cidades aliadas que deviam tributos e serviam nas legiões. Por meio de uma política de não-intervenção direta que permitia relativa autonomia local, Roma construiu sua base de poder e centralizou recursos financeiros e militares.

Formas de conquista e dominação garantiam certos tipos de relações de integração com a população, principalmente em torno da terra. Com a intenção de legitimar o senso romano, várias alternativas foram levando os senhores a ter a relação de poder com seus escravos, inclusive de liberdade. Ou algo que lembrasse isso. (A Escravidão na Roma Antiga. São Paulo: Alameda, 2005, p.38).

Logo, impôs-se que a idéia de liberdade, naquele período da história romana, referia-se muito mais a uma liberdade perdida do que propriamente a uma oposição com a escravidão-mercadoria, que então iniciava sua penetração no tecido econômico e social de Roma. Essa última forma de exploração do trabalho acentuou-se entre os séculos III a.C., momento característico, pela apropriação do ager publicus (terra pública) por grandes proprietários em detrimento do campesinato-cidadão cada vez mais empenhado nas lides bélicas.

Foram dessas relações que surgia a idéia do bom relacionamento entre senhores e escravos, como forma de impedir fugas e rebeliões. O acontecimento em 73 a.C., onde gladiadores se entregavam à derrota como forma de revolta e que teve como castigo a crucificação de seis mil corpos, foi visto como exemplo e de onde comunidades foram criadas, recebendo escravos fugitivos. Essas rebeliões eram também compostas por camponeses. O dilema de todos resumia-se na participação nos problemas a serem resolvidos entre as guerras, as conquistas e as reflexões sócio-política e onde Cícero comenta em suas obras, ou escravidão moral. Na íntegra nada mais era do que a forma de tratamento da questão escravidão, vista pelos romanos e por Aristóteles como algo natural. Tudo girando em torno do que todo o império era: uma grande comunidade cívica, guerreira e política. Tão política que recompensava com a liberdade aqueles escravos que fossem considerados honestos e obedientes (A Escravidão na Roma Antiga. São Paulo: Alameda, 2005, p.41).

Fabio Joly
(...) com as conquistas romanas, o afluxo de escravos e as revoltas servis, compreende-se por que então justificar a escravidão significava necessariamente justificar o imperialismo romano e o papel de liderança que nele tinha a aristocracia. (...) Todos aqueles que pertencessem a cidade hostis eram moralmente indignos (improbi), agiam injustamente e logo eram passíveis de ser derrotados e escravizados. Vê-se que a teoria ciceroniana da escravidão combina dois componentes da ideologia da nobilitas: a comunidade cívica e a guerra.
Se, por um lado, a escravidão é uma punição justa àqueles que colocam em risco a cidade, por outro, é um estágio temporário para que os vencidos possam inserir-se na comunidade dos vencedores, moralmente superior. Diz Cícero que a liberdade é a recompensa daqueles prisioneiros de guerra que se mostraram honestos e diligentes. Ora, remete-se aqui à identidade entre libertas e ciuitas que a manumissão do escravo podia operar na Roma antiga.
Enfim, a escravidão transparece no pensamento ciceroniano como uma questão política, pois decorre de um processo de expansão territorial e cooptação de novos elementos para a comunidade romana. Como observaram alguns estudiosos, a ruptura com a teoria aristotélica é clara e destaca ainda mais a particularidade da escravidão romana ante sua correspondente grega. Para Aristóteles, na Política, a escravidão é uma instituição fundamentalmente doméstica, fora dos limites da polis. A relação senhor-escravo é uma comunidade entre um que comanda por natureza e outro que, pelo mesmo princípio, é comandado, e cuja finalidade é a sobrevivência.

Todavia, muitas fontes contestam a naturalidade da escravidão em Roma e os bons tratos que escravos receberiam de seus senhores. Indubitavelmente, o trabalho compulsório e a violência – inclusive sexual – sempre acompanharam a história da escravidão romana (A Escravidão na Roma Antiga. São Paulo: Alameda, 2005, p.58).
A escravidão, além de dívidas e da conquista, também era feita entre casais. A mulher da Roma Antiga depois que esposava-se, tornava-se propriedade do marido e do senhor dele e devia obediência aos dois, sendo vista com ‘escrava’ e não passando apenas de um elemento da casa. Os filhos frutos do casamento como eram cidadãos romanos, eram vistos pelo império como filhos de Roma, portanto, estavam também sob o poder.
Assim, a escravidão está em Roma como Roma está na escravidão. O colonato resume bem isso. Entre os romanos, o método de exploração da terra e o tipo de relação social de produção em que o colono e sua família ficavam ligados, era perpetuamente relacionado à terra que cultivavam – sendo essa uma consideração das formas de transição do escravismo à servidão feudal. (A Escravidão na Roma Antiga. São Paulo: Alameda, 2005, p.74):

Se por uma lado a pauperização de setores dessa população tornou a partir de certo momento desnecessária a escravidão, por outro, as transformações nessa instituição, estabelecendo novas trajetórias para escravos e libertos, como aquela possibilitada pelos Latini Juniani, também desempenharam um papel nesse processo histórico que, por final, acabou culminando na servidão medieval.
Cidade helenistica-romana de Hierapolis

Se a escravidão em Roma tinha um caráter político, o regime imperial decreta a morte da política. Joly ao citar Finley no último parágrafo do capítulo “Escravos e libertos na economia” ao falar da mudança de escravidão para colonato, finaliza mostrando como essas transformações estabeleceram as trajetórias desse que junto com a história da política em Roma, foi também importante para a sua história na antiguidade.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Música para o dia

Música é a melhor coisa da vida. Ponto. Presente em todos os momentos, esse misto de palavras, poesias, notas, rimas, instrumentos, batidas, percussões, espaços.. deixa-nos mais fortificados. Ampara como se nos desse alimento, água, sentimento... Acho que é isso mesmo: música é importante como sustância, como alimento, como necessidade fisiológica.



Fico extasiada quando percebo que uma música vira trilha sonora de um dia, que, por muitos e muitos motivos, precisa de... música. Música para aliviar, para ilustrar, para fazer companhia, para tornar esse dia que simplesmente precisa de música, ser. Quando acontece esse tipo de coisa, quando a gente acorda com música na cabeça e precisando de música meio que como terapia, o coração fica batendo ritmado, o cérebro pensa em rimas e prosas e as pernas e braços buscam coreografias...



A música habitualmente ilustradora dos momentos de hoje e de ontem em diante, deu lugar a uma nova.


arquivo pessoal
Sem variar, O Teatro Mágico entra novamente para o 'status' de momento entre eu e eu mesma. Na verdade, a trupe sempre tem a capacidade de relacionar momentos em poesia. Realidade em imaginação. Dando um ar bucólico para as coisas tão desnecessárias serem. E mais: coisas que nós mesmos buscamos conscientes ou não de tudo que nos rodeia. Coloca-nos na verdadeira capacidade de sermos maus conosco. Tipo uma coisa que sabemos que não tem para quê ser, mas, infelizmente, precisamos dela. Precisamos nos conectar a essa coisa que em nada nos aconchega. Pelo contrário: nos coloca na posição de vilão de nós mesmos.

Como para cada momento negativo tem um positivo, assim entra a trilha sonora que colore as nostalgias e traduz em poesia as malvadezas dessa vida. A poesia prevalece e nos nos prevalecemos dela. 


arquivo pessoal

À música do dia: "Cuida de Mim". Essa lindeza de música faz parte de "As Chaves da Gaveta" de Fernando Anitelli, líder de O Teatro Mágico. Esse trabalho foi construído paralelamente ao novo álbum da trupe "A Sociedade do Espetáculo". Tão interessante quanto à música, o trabalho paralelo, é o singelo toque, onde Fernando compõe uma música feminina. Coisas de Fernando, de Chico...À ela (para ouvir, link anexado):




"Pra falar a verdade, às vezes minto
Tentando ser metade do inteiro que sinto
Pra dizer às vezes que às vezes não digo
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo
Tanto faz não satisfaz o que preciso
Além do mais, quem busca nunca é indeciso
Eu busquei em sou;
Você, pra mim mostrou
Que eu não sou sozinha nesse mundo.

Cuida de mim enquanto não me esqueço de você 
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo, enquanto fujo.

Basta as penas que eu mesma sinto de mim
Junto todas, crio asas, viro querubim
Sou da cor, to tom, sabor e som que quiser ouvir
Sou calor, clarão e escuridão que te faz dormir
Quero mais, quero a paz que me prometeu
Volto atrás, se voltar atrás assim como eu

Busquei quem sou
Você, pra mim, mostrou
Que eu não sou sozinha nesse mundo...


"A Sociedade do Espetáculo" é o terceiro álbum de O Teatro Mágico e consolida os oito anos de estrada da trupe, os mais de seis milhões de downloads oficias na rede, milhões de views no Youtube, centenas de seguidores e fãs nas redes sociais e os mais de 400 mil CDs vendidos, além de DVDs ultrapassando 120 mil cópias. "As Chaves da Gaveta" é o primeiro trabalho solo de Fernando Anitelli e que ele em seu site traduz sendo "um amontoado de momentos" http://www.fernandoanitelli.mus.br/

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Escritores da Liberdade: modelo de criatividade e conhecimento científico unidos em prol da educação

O filme "Escritores da Liberdade" (Freedom Writers, EUA, 2007) apresenta de forma comovente e instigante, o desafio da educação em um contexto social problemático e violento. Baseado em fatos reais, o roteiro do longa fala das dificuldades de uma jovem professora ter entre seus alunos, onde busca a oportunidade de desenvolver neles a vontade de serem mais. Os alunos em questão são adolescentes em estado de atenção e com relação direta ou indireta com gangues violentas da cidade de Los Angeles do ano de 1992, e que, de um forma ou de outra, encontram-se direcionados para a violência e o abandono educacional e consequentemente, cultural.

Ao perceber que se encontra entre a vontade de ser uma boa referência para esses adolescentes cumprindo seu papel docente e as dificuldades impostas pelos paradigmas atuais da instituição educacional que os 'acolhe', essa professora vê-se responsável pela mínima noção de aprendizado e culturalização para com seus alunos. Mais: enfrenta colégio e colegiados e consegue a vitória de ter podido fazer parte da vida de cada aluno, mostrando que são parte importante do mundo que vivem.

Colocando a história do filme para análise em base do texto "O Paradigma Educacional Emergente" (Moraes, Maria Cândida, 1997.) podemos notar claramente o roteiro de "Escritores da Liberdade" como referencial de paradigmas entre o novo e o velho. Entre compromisso e responsabilidade social, na busca de um novo paradigma para a educação.

Erin Gruwell, Hilary Swank e aturma de 1992
A professora Erin Gruwell (interpretada por Hilary Swank no filme) é um exemplo de que com conhecimento científico, criatividade e crítica - referenciais dos novos paradigmas - podem solucionar problemas que são muitas vezes vistos como dificuldades do ser humano e em questão disso, sem solução. "Escritores da Liberdade" mostra que conhecimento científico, criatividade e crítica, são estratégias fundamentais para a adoção de um novo modelo de construção de conhecimento.

Paradigma - mais que teoria, gerador de teorias - foi importante para o processo de aprendizado tanto para a professora Erin tanto para seus alunos considerados problemáticos inclusive por eles mesmo. Morin, nos mostra que "as mudanças paradigmáticas convivem, simultaneamente, com outras experiências, teorias, outros conceitos ou fenômenos recalcitrantes que não se ajustam facilmente ao paradigma vigente".

No texto a autora  exemplifica o conceito de paradigma: "Quais foram os aspectos fundamentais desse paradigma científico, que muito influenciaram as ciências sociais emergentes? (...) podemos observar duas distinções fundamentais: a primeira refere-se à separação entre o conhecimento científico e o conhecimento proveniente do senso comum; e a segunda refere-se à separação existente entre a natureza e a pessoa humana.". Talvez seja essa a argumentação que a professora Erin se baseou quando recebeu tantas respostas negativas aos seus pedidos de auxílio quanto às dificuldades que percebeu ter em frente aos seus alunos considerados pelo colegiado como jovens sem futuro.

E se a professora Erin não tivesse a percepção que era de um novo paradigma educacional de que seus alunos precisavam? Se essa professora não percebesse que as experiências que seus alunos adolescentes tiveram não possibilitava sequer um presente quanto mais um futuro, suas condições os levaria ao extremo nada, onde estariam adormecidos pelo sistema e pelos velhos paradigmas.

"(...) a ciência moderna não reconhecia as evidências de nossa experiência imediata, que estava na base do conhecimento comum, considerando-as ilusórias. Por outro lado, a ciência moderna reconhecia a total separação entre a natureza e o ser humano. Este era o senhor e o possuidor da natureza, ao passo que aquela era apenas extensão e movimento, passiva, eterna e reversível, passível de ser desmontada para ser mais bem observada e relacionada com as leis matemáticas".

Em outro momento a autora fala de Santos (1988), onde "a nova racionalidade científica, sendo um modelo global, era também um paradigma totalitário na medida em que negava o caráter racional e todas as formas de conhecimento que não rezavam pela mesma cartilha epistemológica e pelas regras metodológicas. Esta seria a sua característica principal e simbolizava a ruptura no novo paradigma com os que o precederam".

Erin deve ter percebido que a ciência moderna necessitava de um estudo da natureza para que fosse estudado a sociedade. Erin e muitos outros profissionais de educação, inclusive do Brasil - onde enfrentam tantas dificuldades tanto nas formas de aprendizagem, quanto nas péssimas estruturas em sala de aula, além de ter em seus diários, alunos com elevados graus de problemática - questionam-se a cada não que não os permitem realizar de forma efetiva a educação num mundo cada vez mais tomado pela violência em todos os seus significados.

Por fim, "reducionismo e holismo, análise e síntese, linear e não-linear, indução e dedução, observador e observado, sujeito e objeto são aspectos complementares, dois lados de uma mesma moeda, que, quando interagem de forma equilibrada, permitem-nos chegar a um conhecimento mais profundo e mais completo do mundo e da vida". Mais do que conhecimento científico, criatividade e crítica, o que determinou fundamentalmente para que a professora Erin tivesse êxito entre seus alunos 'problemáticos' e fosse tema para roteiro de filme estrelado por atriz de Hollywood, foi o amor. Esse foi o ponto determinante e que faz daqueles que dedicam cada dia de seu trabalho do ofício que escolheram, profissionais de qualidade e respeito. O resultado não podia ser diferente.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Novo ano novo


arquivo pessoal
Ouvi dizer que não é bom viver de expectativas. Que é melhor pensar no futuro sem planejá-lo... Difícil. Das pouquissímas vezes que pouco consegui, aprendi que parece ser mais vivo... como se cada momento é terno e feliz, mesmo quando as coisas que pra gente são boas não caminham exatamente como acabaram sendo. E por que? Porque o danado do egoísmo não estava ali presente. No presente.

Assim, quero um Ano Novo cheio de risadas, abraços apertados, sorrisos de pensamentos, viagens, viagem, serra, praia, fazenda, rock, reggae, beijo na boca, aperto de mão, andar de mãos dadas, bicho, natureza, mãe, irmão, pai, de coisa engraçada, de gente engraçada, de causo e história, de cerveja com amigos e só com as amigas, de flerte, amor, sexo, trabalho, reconhecimento, de conversa jogada  fora no quintal, de rodas de violão na sacada, de observar a chuva, e o rio e o mar e a nova cachoeira, de trilhas, aventura, de sentar e observar pela janela..., de carinho, loucuras, felicidade, de sentir o coração sair pela boca, de lazanha de salmão, de encontros, de poesia, de música, amor e amizade de verdade, ... de coisas que mexem com o coração e a alma... enfim, das coisas boas da vida da gente! Porque presente é presente! E não tem esse nome em vão...

arquivo pessoal

Portanto, sendo assim, nem quero saber como vai ser esse tal de futuro. Só sei que desejo que 2012 seja repleto de tudo aquilo que eu sempre fiz no passado e que sempre me fez e faz muito feliz. Quero um ano cheio de graças, de amor, respeito, paz, amor e amizade. Cheio de saúde, de prosperidade, de riqueza de vida. Cheio de presente. 
A mim, a todos, a nós: Leveza!

domingo, 20 de novembro de 2011

Dos tempos gregos aos dias atuais

Num mundo repleto de conceitos não-criados, ouve a necessidade da criação de ordens e ideais para a construção daquilo que se hoje pensarmos, não teria como existir se não existisse. Maneira um tanto alucinógena de imaginar, mas que de fato nos remete a imagem de como seria o mundo sem as cidades e suas normas e seus cidadãos. Entre o século VIII a VII a.C., os gregos - que na verdade eram descendentes de outras grandes etnias – trouxeram a idéia, ou a Paidéia, de Polis. Essa idéia traz-nos ainda ao panorama entre a filosofia e a política que se confrontam (podendo ainda ter-se confrontando muitas vezes ainda naquela época), dando-nos a impressão de que pouco mudou-se de lá pra cá. “Poder de conflito e o poder de união, Eris-Philia: duas entidades divinas, opostas e complementares” como comenta Jean-Pierre Vernant em seu As origens do pensamento grego, estão muito bem relacionado em nossa época. É só olharmos ao redor.


Jean-Pierre Vernant

Nesse mesmo texto, podemos destacar a particularidade entre os conceitos gregos de oito séculos antes de Cristo, aos dias contemporâneos. Os dois pólos da vida social se rivalizam para associar-se ao convívio em sociedade e de unificação. Prova deste conceito tão contemporâneo é quando podemos ver nos jornais e telejornais de ontem e de hoje mesmo (e porquê não a internet – mostra de modernidade), prisão de um traficante, dono da favela mais populosa do mundo, para que assim, juntos, favelados (não-cidadãos) e aristocratas e quem está associado a esse termo sendo grande parte das vezes um pé-rapado, visto dessa forma porque não mora no morro (cidadãos) possam, conviver em harmonia.
Essa realidade em nada fica distante da vida na polis do século V a.C. A única diferença é que hoje em dia os não-cidadãos estão mascarados pelo sistema publicitário-capitalista-político, onde os dá a ilusão de que fazem parte do sistema. Sistema esse que ainda coloca suas mulheres abaixo dos homens nos graus de remuneração trabalhista e que ainda vê-se preconceituoso quando o cara é negro, ou índio, ou japa.

Norberto Luiz Guarinello

Particularidades também podem ser vista no texto de Norberto Luiz Guarinello em Cidades-Estado na Antiguidade Clássica, quando comenta a propriedade dos camponeses que precisavam trabalhar ou serem apadrinhados para ter acesso ao território agrícola. Será que podemos ver algum resquício de reforma agrária? Os conflitos entre comunidades rurais e urbanas ainda podem ser vistos quando lembramos as péssimas condições de trabalho no campo, as estradas em descaso, a falta de habilitação à saúde e a informação, o trabalho escravo ainda no século XXI... Tudo isso porque, desde àquela época dependemos do trabalho desses homens e mulheres para nos sustentar, simplesmente.

A idéia de propriedade privada faz da terra uma comunidade de proprietários que a defendem sem a presença de um soberano. Frase feita dita nas ágoras e que podem ser ouvidas como que repetidas nos programas gratuitos de partidos políticos na TV ou nos plenários da vida e que de fato não representa muito. O indivíduo precisava e precisa mesmo é possuir meios de subsistência e de riqueza para fazer parte do quadro da comunidade. Sua propriedade depende das suas relações com um poder superior. Prova disso são os grandes pecuaristas que com seus muitos funcionários rurais nada faz pela preservação do meio ambiente. Já o humilde produtor que vive para trabalhar literalmente, é multado e tem que vender sua terrinha para pagar a dívida e fazer outra, através de financiamento bancário, para tê-la novamente.

Como N. L. Guarinello comenta: “(...) Alguns elementos deram a essas comunidades camponesas um caráter único dentre as sociedades agrárias da História. Um fator primordial foi o desenvolvimento da propriedade privada da terra. Em uma cidade-estado, cada família camponesa cultivava um ou mais lotes com contornos bem definidos, que eram sua propriedade individual, de onde obtinha seus meios de subsistência... As grandes propriedades eram formadas, quase sempre, pela multiplicação de pequenos lotes... A terra comunitária, onde existia, era uma reserva para loteamentos futuros, sempre apropriados individualmente.”

Moses Finley
O historiador Moses Finley traz à nossa realidade uma visão mais globalizada dessa questão. Quando em “A Política no Mundo Antigo”, mais precisamente no último parágrafo do terceiro capítulo diz: “Vários séculos se passaram desde então e nenhum dos modelos de comportamento ou acontecimentos que esbocei se tornam inteligíveis sem a compreensão das políticas nelas envolvidas. Nem a élite, em aliança ou em concorrência, nem tão-pouco a populaça foram espectadores passivos. Havia que recorrer a eles, consultá-los, manipulá-los, manobrá-los e suplantá-los nas manobras; numa palavra, envolvê-los politicamente por diversas formas. Foi este o preço pago por um sistema de cidade-estado com o seu elemento de participação popular”.

Qualquer semelhança não é mera coincidência. Essa continuação diluída e modificada, como ilustra M. Finley pode ser muito bem observada através do texto abaixo.

“Esta ordem econômica foi acompanhada por uma nova administração política. Sólon privou a nobreza de seu monopólio de cargos pela divisão da população de Atenas em quatro classes de renda, destinando as duas classes mais altas às magistraturas mais elevadas, a terceira tendo acesso às posições administrativas mais baixas, e a quarta tendo direito a um voto na Assembléia dos cidadãos, que desde então se tornou uma instituição normal da cidade. Este arranjo não estava destinado a durar.

Nos trinta anos seguintes, Atenas experimentou um rápido crescimento comercial, com a criação de uma unidade monetária municipal e a multiplicação dos negócios locais. Os conflitos sociais com os cidadãos logo se renovaram e agravaram, culminando com a tomada do poder pelo tirano Pisístrato. Foi sob seu governo que emergiu a configuração final da formação social de Atenas. Pisístrato patrocinou um programa de construções que proporcionou emprego para artífices e trabalhadores urbanos e promoveu um florescente desenvolvimento do tráfego marítimo do Pireu. Mas, acima de tudo, proporcionou assistência financeira direta ao campesinato ateniense, na forma de créditos públicos que finalmente confirmaram sua autonomia e segurança na véspera da polis clássica” .

Estudar, presenciar o estudo de Antiguidade e do Pensamento Clássico, traz a mente uma pergunta: “o que fez com que os gregos tivessem a necessidade de criar a filosofia, a política e o espaço público?” Seria essa uma necessidade natural do homem?


 



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ops!

E chega uma hora que... acontece! E acontece tão naturalmente que sentir-se à vontade parece ser muito divertido. O frio na barriga, o sono que é interrompido, o sorriso que não sai do rosto, e, não mais importante, uma leve e adoradora sensação de felicidade dentro desse peito que vós fala e que pulsa... óh como pulsa! Dá pra ouvir quando devagarinho a gente deita a cabeça num abraço gostoso, e assim, outra sensação vem: a da segurança que teve bom! 
Quem disse que dá pra seguir roteiro mesmo? Quem disse que é tudo planejado? Quem? Quem? Nessas horas a única coisa que dá pra saber de verdade é que agradecer é o melhor a se dizer. Portanto, obrigada Vida Louca Vida que sempre me pega, me sacode os cabelos e que olha dentro do meu olho dizendo: seja feliz! E logo muitas borboletas começam a bater suas asinhas na barriga...
Bem-vida sensação de felicidade. Seja sempre muito bem-vida! S2 pra vc!